SOM DE CLASSE NA AMAZÔNIA
Estúdio Som da Terra é opção de médio porte em Rondônia
Bruno Spadale
Apesar da grande diversidade musical do Brasil, a grande maioria dos estúdios está concentrada no eixo Rio-São Paulo. O Estúdio Som da Terra, em Rondônia, é uma exceção. Inaugurado em março de 2004, o espaço procura levar para o norte do país a excelência técnica que existe nas grandes capitais.
A empresa Som da Terra, de Sérgio Santos, trabalhava com produção e sonorização de eventos como Paixão de Cristo - Jerusalém da Amazônia e Feira Agropecuária de Porto Velho. Quando Sérgio teve contato com as novas tecnologias de gravação, começou a se interessar mais pelo assunto. Reconhecendo a lacuna existente no segmento em Rondônia e proximidades, resolveu construir um estúdio na cidade. Depois de conseguir um financiamento com o Banco da Amazônia, através do Fundo Constitucional de Financiamento do Norte, chamou o projetista Peron Rarez e deu início aos trabalhos.
A TRANSFORMAÇÃO
A antiga casa de Sérgio foi adaptada para dar lugar ao estúdio. O espaço tinha 360 metros quadrados. Peron esteve em Rondônia em setembro do ano passado, viu a estrutura, levou a planta da casa e fez o projeto. As obras começaram em novembro. Em janeiro, o projetista voltou para fazer o acompanhamento, e em março estava tudo pronto. "Tivemos sorte. Apesar de a casa não ter sido construída para abrigar um estúdio, havia diversos fatores que ajudaram no projeto. O teto irregular era perfeito para as reflexões do som", conta Peron.
O estúdio tem duas salas de gravação. A sala A (principal) tem uma área de 17 m2 com pé direito de 5 m. A sala B (cabine) tem uma área de 10 m2 com pé direito de 3 m. A técnica tem uma área de 15 m e pé direito de 3 m. A maior ocupa o espaço de antiga sala de estar, que era um mezzanino, e por isso, ficou um pé direito bem alto, com cinco metros. Peron deixou a sala viva, aproveitando as boas medidas, e fez o tratamento acústico usando painéis fixos e móveis. Lá são feitas gravações de percussão, bateria e metais. A outra sala é morta. O espaço também foi tratado com painéis (dois fixos no teto e mais quatro nas paredes) e ficou destinado a gravações de voz e violão.
O projeto é ecologicamente correto: durante o dia é possível usar apenas iluminação natural. Outro detalhe que merece destaque é que da técnica pode-se controlar visualmente as duas salas. Todo o cabeamento é embutido, todos os computadores são aterrados e existem disjuntores separados para áudio, ar condicionado, luzes e o restante.
Peron também ajudou na escolha dos equipamentos. O estúdio tem uma plataforma Pro Tools LE com a interface Digi 002 (mesa), conversor Behringer ADA 8000 e mesa Mackie 1604 VLZ. "O conversor Behringer serve como pré-amplificador , dando mais oito canais para entrar no Pro Tools. Dessa forma dá para gravar 16 canais ao mesmo tempo", conta Sérgio. O técnico do estúdio é Laio Santos.
Sérgio não que restringir seus horizontes apenas a Rondônia. "Já estou negociando com grupos do Acre e Manaus. Existe muita diversidade musical na região Norte. Aqui podemos encontrar pessoas fazendo música instrumental, música popular, forró, brega, rock". Além de gravar, Sérgio tem intenções de produzir e lançar artistas. "Também posso fazer a intermediação entre os músicos e os patrocinadores. Estou otimista, muitas empresas grandes estão vindo para o Norte". O compositor Bado, local de Rondônia, está gravando no estúdio um disco que vai ser lançado pelo selo Som da Terra. Sérgio também faz gravações para publicidade, campanhas políticas e teatro.
Fonte: Revista Áudio Música & Tecnologia - Ano XVIII - Setembro/2004 - Nº 156